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Ataque cibernético e chantagem contra o Einstein: a invasão que mirou prontuários

EP 04 9:05 Caso de Agosto a outubro de 2024

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Sobre o episódio

O Hospital Israelita Albert Einstein sofreu um ataque cibernético que resultou no acesso e na extração não autorizados de dados cadastrais e registros de saúde de pacientes. Em posse das informações sigilosas, criminosos passaram a extorquir a instituição, exigindo dinheiro para não divulgar os arquivos sigilosos.

Identificada a anomalia em 4 de agosto, o hospital acionou imediatamente a Polícia Federal e a ANPD, mantendo atendimentos e prontuários funcionando sem pagar o resgate solicitado. A investigação da Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF deflagrou a Operação Insidioso em Joinville (SC), onde um mandado de prisão temporária e um de busca e apreensão foram cumpridos contra um homem suspeito de atuar como facilitador.

O caso segue em andamento com a perícia dos aparelhos apreendidos para desarticular os demais integrantes do grupo, enquanto o hospital realiza a triagem dos arquivos fragmentados para notificar individualmente os pacientes atingidos.

Capítulos

Pontos principais

  • Identificação de atividade anômala no hospital em 4 de agosto com extração de cadastros e registros médicos
  • Tentativa de extorsão contra a instituição para não divulgar os dados sigilosos
  • Manutenção integral do funcionamento dos sistemas de atendimento e prontuários eletrônicos
  • Deflagração da Operação Insidioso pela Polícia Federal com prisão temporária em Joinville (SC)
  • Investigação em andamento para identificar outros membros do grupo criminoso e notificação contínua dos pacientes

Como se proteger

  • Desconfie de ligações ou mensagens que mencionem exames ou diagnósticos reais cobrando taxas urgentes
  • Não realize pagamentos nem repasse senhas ou códigos recebidos por SMS sob pressão de supostos funcionários
  • Consulte prontuários e agendamentos exclusivamente pelos aplicativos oficiais ou canais diretos da instituição
  • Guarde prints e registros de tentativas de abordagem fraudulenta e registre boletim de ocorrência
  • Utilize canais oficiais de privacidade da instituição de saúde para esclarecer suspeitas sobre dados expostos
Transcrição completa

0:00:00 Samurai: Imagina a cena: a tela do computador de segurança acende no meio da madrugada. Não tem nenhum sistema travado, as consultas continuam marcadas, as cirurgias estão acontecendo nas salas ao lado.

0:00:11 Sara: Mas tinha alguma coisa errada acontecendo por trás dos panos, né?

0:00:15 Samurai: Tinha. Um ralo silencioso puxando nomes, cê-pê-éfes, exames de laboratório e prontuários médicos confidenciais. E logo em seguida, a mensagem dos criminosos: paguem uma quantia em dinheiro ou a gente joga tudo na internet.

0:00:30 Sara: Pediram resgate direto para o hospital?!

0:00:33 Samurai: Pois é. Hoje você vai entender como um dos hospitais mais renomados do país, o Albert Einstein, enfrentou uma invasão direta nos seus servidores, e como a Polícia Federal rastreou um suspeito até uma residência em Joinville, Santa Catarina. E tem um detalhe que a gente vai revelar até o fim: o motivo de os criminosos não terem conseguido paralisar nem um minuto do atendimento aos pacientes. Eu sou o Samurai, e este é o CyberJustiça.

0:01:00 Sara: Samurai, quando a gente ouve que prontuários médicos foram parar na mão de criminosos, bate um medo imediato. Quem é paciente e tá ouvindo a gente agora precisa fazer o quê logo de cara?

0:01:12 Samurai: Essa é a regra de ouro do episódio, Sara. Se alguém te ligar ou mandar mensagem no WhatsApp citando o nome do seu médico, um exame que você fez ou um remédio que toma, e pedir dinheiro, confirmação de código por esse-eme-esse ou Pix para liberar procedimento... para tudo. Não faça nada.

0:01:31 Sara: Mesmo se a pessoa souber detalhes íntimos da minha saúde?

0:01:34 Samurai: Principalmente se ela souber. Criminoso que rouba base hospitalar usa a verdade médica para te dar um choque psicológico e fazer você pagar sem pensar. A postura correta é desligar na hora, abrir o aplicativo oficial da instituição ou ligar no número público do hospital para checar.

0:01:52 Sara: Faz todo o sentido. Mas me explica: como essa história toda começou dentro do Einstein?

0:01:58 Samurai: Tudo começou no dia quatro de agosto. A equipe de segurança da informação do Hospital Israelita Albert Einstein, lá em São Paulo, detectou uma anomalia nos sistemas. Alguém tinha invadido o ambiente computacional e tava copiando bases de dados.

0:02:13 Sara: E que tipo de arquivo eles conseguiram puxar?

0:02:16 Samurai: Olha, não foi pouca coisa. A lista de dados cadastrais inclui nome, cê-pê-éfe, data de nascimento, e-mail e telefone de pacientes. E na parte de saúde, que é muito mais delicada, entraram prescrições médicas, resultados de exames, diagnósticos e notas clínicas.

0:02:35 Sara: Nossa... prontuário com anotação de médico e receita? Isso é absurdamente sensível!

0:02:42 Samurai: É o tipo de informação que a legislação trata com o mais alto nível de sigilo. Só que, diferente do que algumas notícias espalharam no começo, não foi aquele golpe tradicional em que um programa malicioso bloqueia a tela e impede o médico de ver o sistema.

0:02:58 Sara: Pera aí... então as telas não ficaram travadas pedindo senha de resgate?

0:03:01 Samurai: Não. Segundo a nota oficial da Polícia Federal e do próprio hospital, os prontuários eletrônicos, os portais digitais e as consultas continuaram operando em tempo real. O crime apurado pelas autoridades foi invasão de dispositivo informático e extorsão.

0:03:19 Sara: Eles roubaram uma cópia e usaram essa cópia como chantagem.

0:03:23 Samurai: Foi pura extorsão. Os criminosos entraram em contato com a diretoria da instituição e cobraram dinheiro para não vazar as informações na internet. Mas o hospital tomou uma decisão firme: não negociou, não pagou nenhum centavo e foi direto acionar a polícia.

0:03:40 Sara: E quem eles chamaram quando viram o tamanho do problema?

0:03:43 Samurai: Acionaram a Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, a famosa Dê-Ciber, e comunicaram imediatamente a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a Á-Éne-Pê-Dê. Além disso, contrataram peritos forenses independentes para auditar cada pedaço da rede.

0:04:01 Sara: E a Polícia Federal conseguiu achar o fio da meada rápido?

0:04:04 Samurai: Demorou cerca de dois meses de investigação técnica. A equipe da Dê-Ciber seguiu os rastros digitais da invasão, os endereços de conexão e a infraestrutura usada para receber os dados extraídos. E a trilha não apontou para a capital paulista.

0:04:19 Sara: Foi parar onde?

0:04:20 Samurai: No município de Joinville, no norte de Santa Catarina. A Vara Regional das Garantias de São Paulo expediu dois mandados judiciais: um de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. O nome da missão? Operação Insidioso.

0:04:36 Sara: Na quarta-feira, dia sete de outubro, os agentes bateram na porta lá em Joinville, certo?

0:04:42 Samurai: Sete de outubro. Um homem foi preso temporariamente. E a investigação aponta que ele não era só um espectador: ele atuou como o facilitador que viabilizou a extração das bases de dados para o grupo criminoso.

0:04:54 Sara: Um facilitador em Santa Catarina ajudando a desviar dados de um hospital em São Paulo... Que loucura!

0:05:02 Samurai: O crime cibernético não tem fronteira física, Sara. O sujeito aperta teclas de outro estado achando que tá invisível. Só que agora os computadores, celulares e mídias dele estão sob perícia minuciosa nos laboratórios da Polícia Federal.

0:05:16 Sara: Mas e o resto do bando? Esse cara agia sozinho?

0:05:20 Samurai: Essa é a questão central. O caso não acabou. A investigação segue em andamento. A polícia tá analisando os arquivos apreendidos em Joinville justamente para mapear e alcançar os outros comparsas que participaram da chantagem.

0:05:34 Sara: E os dados dos pacientes? Chegaram a ser publicados em algum fórum clandestino?

0:05:39 Samurai: Até o momento, segundo o hospital e a polícia, não existe nenhuma evidência de vazamento público ou de uso indevido das informações roubadas. O Einstein mantém um monitoramento contínuo da infraestrutura para detectar qualquer vazamento na rede.

0:05:54 Sara: E as pessoas que tiveram os dados copiados, como ficam sabendo se estão nessa lista?

0:05:59 Samurai: O hospital explicou que essas bases extraídas eram fragmentadas e descentralizadas, muitas em documentos avulsos. Então uma equipe técnica tá fazendo a triagem paciente por paciente e avisando individualmente por e-mail cada titular identificado.

0:06:15 Sara: E aqui a gente cumpre a nossa promessa do início, né? Por que os criminosos não conseguiram travar os computadores dos médicos no hospital?

0:06:23 Samurai: Porque a arquitetura de segurança do hospital isolou os servidores de atendimento e as bases operacionais assim que o primeiro alerta disparou em quatro de agosto. O plano dos invasores era a chantagem com a cópia dos dados sensíveis, a famosa exfiltração, e não o bloqueio total dos equipamentos. Como o hospital não cedeu à extorsão e chamou a polícia, o blefe caiu por terra.

0:06:46 Sara: Mesmo assim, com os dados que eles conseguiram copiar, os golpistas podem tentar armar armadilhas contra os pacientes por fora.

0:06:54 Samurai: Com certeza, Sara. E é aqui que você aí que tá nos ouvindo precisa redobrar a atenção. Esse tipo de vazamento abastece o chamado golpe do falso hospital ou falso médico.

0:07:06 Sara: Aquele em que mandam mensagem falando que precisa pagar uma taxa urgente para liberar cirurgia ou exame caro?

0:07:12 Samurai: Esse mesmo. Eles chegam falando o seu nome completo, citando o nome do laboratório onde você colheu sangue ou a data do seu último atendimento. Parece muito real, mas é pura engenharia social baseada em dados vazados.

0:07:25 Sara: E se alguém receber uma mensagem dessas ou cair num golpe parecido, qual é o roteiro prático?

0:07:31 Samurai: Vamos lá. Primeiro: se você chegou a fazer transferência via Pix para esses criminosos, acione imediatamente o seu banco e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução, o eme-ê-dê, em até oitenta dias. Quanto mais rápido registrar, maior a chance de bloqueio do valor na conta de destino.

0:07:50 Sara: E as provas do contato fraudulento?

0:07:53 Samurai: Guarde tudo. Tire print das conversas, registre o número de telefone, o endereço de e-mail e os comprovantes de envio. Em seguida, faça o boletim de ocorrência na delegacia eletrônica da Polícia Civil do seu estado.

0:08:06 Sara: E como o paciente do Einstein pode tirar dúvidas diretamente com o hospital?

0:08:10 Samurai: O Einstein disponibiliza o Portal de Relacionamento com o Titular e o e-mail institucional atendimento ponto privacidade arroba einstein ponto bê-érre. Nunca use links que receber por mensagem de terceiros; digite sempre o endereço no navegador ou acesse o aplicativo oficial.

0:08:28 Sara: E o passo a passo completo pra quem passou por um golpe cibernético tá organizado lá no nosso site, né Samurai?

0:08:34 Samurai: Tá tudo explicadinho em cyberjus ponto org, na página Fui vítima. Dá uma olhada lá para saber como agir diante de qualquer fraude eletrônica. Lembra daquela tela acesa na madrugada que a gente falou no início? A tecnologia do hospital segurou o impacto operacional, mas a segurança final dos seus dados no dia a dia depende da sua desconfiança ativa. Manda este episódio agora mesmo no grupo da família ou para aquele amigo que faz exames com frequência. A informação certa é o melhor antivírus que existe.

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